Como tudo se alinhou
Em um abençoado fim de semana ao final de 2024, me ocorreu um passeio com minha família ao Shopping. Estava sem grana e com cartão de crédito chorando de desespero por seu limite estar acabando, mas naquele dia, isso não foi um problema para mim. Acredito que existem certas coisas, que vale correr risco, ser desapegado e não se preocupar (principalmente tratando-se de dinheiro), mesmo quando o mundo ao seu redor parece desabar. Aquele dia era um ensolarado sábado, daqueles um tanto cinematográfico, fresco e com sol. Então, já inspirado com a vida por ter acordado num sábado daqueles, chego ao Shopping procurando minha família, eles estavam na praça de alimentação e então me assento ao lado após cumprimentos.
Estava com muita fome e então fui a encontrar um bom restaurante. Mesmo um pouco zen, comecei a me estressar com os atendentes, respirando fundo e pensando:
“Como podem ser tão idiotas? Tive de repetir 4 vezes a mesma coisa”
Sim, sou extramamente ansioso e me estresso fácil, mas estou tratando isso e a filosofia zen-budista vem me ajudando muito, principalmente com os ensinamentos do Grande Panda que descobri naquele dia.
Após comer e ficar satisfeito, caminhamos pelo Shopping até que minha irmã insistiu para irmos em uma livraria. Eu já havia cogitado ir lá, mas sem muita disposição, se não fosse minha irmã, nunca teria tido a chance de conhecer o livro.
Após chegarmos, fui direto na seção de zen-budismo, esoterismo e religião. Fui à caça do livro da vez, indeciso como sempre, demorei uns 40 minutos para escolher o livro. Tinha um em mente, até que vejo O Grande Panda e o Pequeno Dragão. Livro extremamente minimalista, aplicando totalmente a filosofia zen, pouco texto e muitas imagens. De certa maneira eu considerei burrice comprar um livro de 160 páginas as quais são praticamente todas desenhos aquarela. Algo que leria em 30 minutos, considerei um disperdício do meu último dinheiro. Mas após respirar fundo e criar coragem, corri o risco.
O Grande Panda e o Pequeno Dragão
O livro escrito por James Norbury, conta a história de um panda e um dragão, o primeiro sendo totalmente zen, paciente, apreciador de momentos e carinhoso. O outro, pequeno, sonhador, agitado e impaciente (me identifiquei com ele).

O livro narra a caminhada destes dois, seguindo para ”Não Sei Onde”, chamo assim pois em nenhum momento é revelado (propositalmente). O livro nos ensina a aproveitarmos o momento e sobretudo a companhia que temos. Iniciando o capítulo com o tocante e profundo trecho:
“O que é mais importante”, perguntou o Grande Panda,
“a jornada ou o destino?”
“A companhia”, disse o Pequeno Dragão.
O livro firma muito a ideia de jornada, de buscar seu próprio caminho e como deve desfrutar de tudo que lhe ocorre.
Dividido em quatro capítulos, uma para cada época do ano (demonstra passagem do tempo). O livro não revela em nenhum momento para onde estão indo, este é o grande ensinamento do livro.
Aprendizado
Este livro me fez repensar inúmeras atitudes e pensamentos que tenho frequentemente em minha vida, principalmente tratando-se de ansiedade e estresse. Entendi que devemos aproveitar com quem amamos, o momento, não o passado nem o futuro. Infelizmente vivemos em um mundo em que tiramos foto de tudo o tempo todo, gravamos e recordamos momentos ao invés de simplesmente aproveitá-los.
Comece a praticar a observação em seu dia, observe os grandes eventos, momentos e situações. A maioria das pessoas estará com seu celular ou câmera para gravar aquele momento, que talvez ela nunca assista novamente, mas para ela, gravar e registrar o momento é melhor que vivê-lo. Chegamos à uma sociedade doente e materialista. Logo o aprendizado é:
Desapegue da tecnologia, viva verdadeiramente os momentos com quem importa e deixe de viver um vida de futilidade e exibicionismo. Não deixe sua vida continuar sendo vazia de sentido.
~ zukotto
Agradeço por ter lido até aqui, e espero ter passado algo de útil para vocês. Abraços e bençãos.