Incêndio no ‘lixão’ de Teresópolis

Nos últimos dias, um incêndio no que deveria ser o aterro sanitário de Teresópolis se transformou em um verdadeiro desastre; e desastre é mesmo a palavra adequada.

É um desastre ambiental porque piora os diversos níveis de contaminação que aquele local produz e ameaça ainda mais o meio ambiente.

É um desastre político, já que o aterro se transformou em um verdadeiro lixão por decisões equivocadas do poder público.

É um desastre social porque a vida de todo o município está sendo afetada, seja por conta da intoxicação do ar, seja por conta da ameaça à vida de inúmeras famílias que trabalham no local.

E, vale frisar, é um desastre empresarial, porque se encontra nas contradições que ocorrem quando serviços públicos são geridos por empresas privadas.

O incêndio impactou diretamente a vida e a saúde de milhares. Mais precisamente, devemos encarar o fato de que a fumaça produzida pela queima dos resíduos, tida como altamente tóxica, levou dezenas de pessoas ao SUS, cujas filas já se avolumavam em função dos problemas judiciais envolvendo algumas das principais instituições da cidade.

O uso de máscara e a suspensão das aulas trouxe de volta o cenário dos dramáticos dias que vivemos em função da Covid 19. O impacto na vida dos moradores do entorno só não pode ser comparado com a vida dos trabalhadores que vivem da coleta de resíduos do próprio aterro. Pessoas em situação de vulnerabilidade social que viram o fogo tomar conta do seu único recurso de sobrevivência – o lixo. O incêndio colocou em evidência a mais aguda contradição entre o desenvolvimento do município e a pobreza e carência a que seus cidadãos são submetidos.

Diante de tal cenário de caos socioambiental, A REDE e o PSOL enfatizam a responsabilidade das autoridades locais, cobrando a implementação de políticas públicas que garantam a aplicação da lei. O município está defasado em décadas em relação às diretrizes nacionais da agenda de tratamento de resíduos sólidos, que muito se afasta do que hoje é realizado no aterro do Fischer. Precisamos destinar o lixo corretamente e dar incentivo e suporte para os trabalhadores da reciclagem.

Não podemos nos omitir da responsabilidade ambiental, social, política e moral que tal problema nos impõe.

EXECUTIVA DA REDE SUSTENTABILIDADE DE TERESÓPOLIS

EXECUTIVA DO PSOL - TERESÓPOLIS