Divulgado em 12/04/2023
Nós do PSOL Teresópolis temos assistido a diversos debates importantes para a sociedade brasileira sendo silenciados pela extrema direita através da redução de um problema social complexo à velha falsa solução de vigiar e punir.
O tema em foco agora é a violência escolar. Os governos e algumas associações de pais e escolas privadas são levadas pelo sensacionalismo midiático a ignorar toda e qualquer recomendação de especialistas e educadores para propor botões de pânico e rondas escolares, reduzindo um problema educacional sério à questão da segurança, e aderindo, assim, aos clamores de vigilância e punição da extrema direita, que não por acaso é o grupo político mais diretamente ligado aos ataques terroristas nas escolas brasileiras. Esta solução já nasce fracassada.
Quando se fala em violência nas escolas, convém separar o problema educacional do sensacionalismo midiático. O debate sobre terrorismo e escalada da extrema-direita precisa ser feito, junto com investigações sobre grupos criminosos capturando jovens normalmente acovardados para a promoçao de ideologias neonazistas. Isso tem acontecido nas escolas, mas pode acontecer em parques, praças e supermercados. A facilidade de acesso às armas e a desregulação da internet são dois fatores preocupantes, que o estado deve observar.
De dentro das escolas, o problema da violência é cotidiano e atinge principalmente os grupos marginalizados, mulheres, negros, pessosas LGBTQIA+ e pessoas com deficiencia. Além disso, a rivalidade que existe fora da escola se intensifica pelo convívio constante e tem explodido em brigas cada vez mais violentas. Os dois anos de isolamento da pandemia agravaram muitos dos problemas de relacionamento, e as escolas não conseguiram medir nem se preparar para isso.
Na rede estadual do Rio de Janeiro, um processo de fechamento de escolas agravou a superlotação, e a implementação do novo ensino médio logo na volta da pandemia atrapalhou toda a organização interna das escolas, comprometendo tanto a avaliação dos danos do isolamento quanto a resolução dos conflitos. As escolas municipais de Teresópolis também não têm o pessoal indicado pelo Plano Municipal de Educação, em ambas as redes faltam profissionais da psicologia e da assistência social nas escolas, falta pessoal para inspeção escolar, para a secretaria e muitas vezes até para a coordenação, sem contar a estrutura física das escolas, onde quase todas contam com grades e câmeras, e muito poucas tem área de convivência, descanso, estudo e interação entre os alunos para além das salas e corredores apertados. A própria precariedade do espaço físico das escolas pode ser um estopim para desentendimentos que já estavam latentes.
Mesmo nesse contexto, temos iniciativas bem sucedidas de promoção de um ambiente escolar saudável. Essas iniciativas usam a vigilância na medida em que ela pode ajudar no acompanhamento e diagnóstico das questões, e podem se valer da punição para os casos limite, mas elas se concentram em ações pedagógicas: promoção de acordos, entendimentos e regras comuns, divulgação, informação e iniciativas de integração entre a escola que proporcionam espaços de manifestação e integração da diversidade e da pluralidade presentes no ambiente escolar.
Há ainda uma questão que normalmente não é abordada, no bojo da violência escolar, mas que é das mais graves, que é o número de escolas no estado do Rio de Janeiro que é vítima das violências das próprias forças de segurança pública. Escolas em “áreas de conflito” que chegam a ter um quarto de suas aulas canceladas, escolas que abrigam confrontos diretos ou mesmo que chegam a ser alvo das forças policiais, essas são das violências mais graves e inaceitáveis que enfrentam as crianças e adolescentes do nosso estado. É preciso priorizar a educação de todas as crianças e parar de sobrecarregar a educação com os problemas de uma segurança pública orientada em favor da continuidade do conflito.
Nós do PSOL Teresópolis defendemos que as pessoas mais indicadas para tratar questões relativas à educação são as educadoras e educadores que se comprometem com os valores democráticos. Precisamos promover debates, ouvir toda a comunidade escolar e encontrar juntos as soluções para uma escola segura e plural, cada vez mais participativa, onde a cidadania seja o princípio, o fim e também os meios da educação.