Divulgado em 02/02/2023, pelo setorial de Negritude
A moradia digna e livre de riscos de morte e perda de seus bens materiais é um direito fundamental! É inaceitável o processo de remoção de famílias em área de risco que está em curso em Teresópolis nesse momento, pois, enquanto são construídos diversos prédios para fins de especulação imobiliária, pessoas estão perdendo seus lares sem um novo lugar para morar e sem receber aluguel social, ou recebendo o benefício aquém de suas reais necessidades e em valor incompatível com as condições de segurança e inclusão na vida urbana.
Ao circular pela cidade vemos a abertura expressa do mercado especulativo-imobiliário como carro-chefe da lógica empreendedorista da Prefeitura. Assim como ocorre em diversos municípios da região serrana, estes empreendimentos buscam conciliar os potenciais naturais da região priorizando a oferta de serviços urbanos de luxo. Eles são construídos produzindo grandes áreas de desmatamento e profundas transformações na paisagem atendendo aos interesses das elites locais e de parcela da classe média carioca que busca uma segunda residência ou casa de veraneio.
A Prefeitura defende seu projeto de cidade elitizada justificando com um discurso de preservação ambiental e de defesa da vida das pessoas. A busca incessante por uma boa história pra contar é, verdadeiramente, um projeto de expulsão da população negra e pobre da paisagem da cidade.
Se temos espaço para construção segura, estes deveriam atender primeiro os mais necessitados. Basta de uma política habitacional pautada pelos interesses da construção civil e da especulação imobiliária. Somente um programa de construção de prédios e casas populares será capaz de reduzir significativamente os riscos de novos 2011! Precisamos, urgentemente, de um Fundo Municipal para construção de habitações de interesse social!