2011 não será esquecido

Divulgado em 11/01/2023

Infelizmente nossa cidade e nossa região, a cada ano, precisam se enlutar e lembrar dos seus entes queridos perdidos e machucados pela maior catástrofe sócio ambiental da história do país. O PSOL Teresópolis não chama o que ocorreu de tragédia! Tragédias são inevitáveis, causadas pelo destino e diante delas não há o que fazer a não ser exercitar a aceitação.

Catástrofes como aquela são o resultado de uma reunião de ações equivocadas, de desorganizações propositais, de políticas de habitação inexistentes, das desigualdades econômicas profundas da sociedade, do racismo que se expressa na ocupação do nosso solo, da precária política ambiental que experimentamos. A catástrofe da região serrana precisa ser vista ao lado de Mariana em 2015, de Brumadinho em 2019 e de Petrópolis em 2022.

O que se espera dessas catástrofes é, primeiro, cuidado com as vítimas, em segundo lugar, reparação - até onde for possível - daqueles que de alguma forma foram vitimados e, sobretudo, identificação dos responsáveis.

O primeiro atendimento para quem foi afetado à época foi precário e desorganizado, mas não deixou de contar com os esforços solidários de cada cidadão do município. As nossas dificuldades foram compensadas no esforço coletivo das pessoas de uma cidade arrasada; ao longo do tempo e com muita luta, o aluguel social foi garantido a algumas vítimas e muitas casas populares erguidas, porém, em momento algum essas iniciativas cobriram toda a necessidade de quem precisava e até hoje diversas pessoas não obtiveram reparação.

A situação mais grave repousa na responsabilização. Até hoje não se apuraram corretamente as causas daquele evento. A CPI produzida pela ALERJ avançou sem apontar os verdadeiros responsáveis e a noção de tragédia ajudou a criar a aura de inevitabilidade sem causa.

A irresponsabilidade ao lidar com a catástrofe iniciou uma grande crise política em Teresópolis, que precisa ser sanada com atenção para a prevenção de episódios parecidos, estrutura para a defesa civil, combate à especulação imobiliária e uma política ambiental e habitacional que priorize as pessoas, não o lucro.

O ano é 2023 e janeiro de 2011 não será esquecido!