quando tá só eu e ela
não existe rua, avenida, viela
viramos cérebro e intestino
viramos papel e carimbo
.
quando tá só eu e ela
não existe calçada, meio-fio, passarela
viramos um ser duplo, indistinto
viramos a calça larga e o cinto
.
quando tá só eu e ela
não existe corpo seco
por uma questão singela
nosso suor é o mais gostoso
nem acabou e já quero de novo
.
quando tá só ela e eu
não existe largura, altura, ateu
atravessamos um portal
pra algum lugar -paradoxalmente- tão próximo
onde a felicidade não esgota
onde abrem-se todas as portas
.
quando tá só ela e eu
de alguma forma
eu sou mais eu