entre o macro e o micro
fico com o castanho dos teus olhos
algo entre café, mel e nozes
me perco no arrodeio do teu umbigo
igual um pomba lesa
lúcido e apaixonado
no escuro e no claro
.
entre nós de nós
.
entre o profano e o sacro
dedilho teu ventre
tás na minha...
corrente sanguínea e mente
finco, inocente, um beijo:
molhado, faminto e calmo
rodeando a espiral que
a gargantilha que te dei
guarda e faz jus ao ouro
da tua jugular aurífera
dessa laringe de esfinge
dessa traqueia ateia
que me encanta, me entorta,
me acorda, me desperta
me possui, me arrepia
.
entre nós a sós
.
entre o joio e o trigo
se amalgama nossa carne e espírito
tu borboleteia meu estômago
tu escanteia meus prantos
a carne é fraca, eu sinto
o espírito é forte, eu sinto
contigo —suada— atracada em mim
eu mais que sinto que a gente
goza, na real, vinho tinto
espero nunca me achar
nesse libidinoso labirinto
.
entre nós nus
.
para além de nós
não tem pra onde correr
é verdade, é verdade...
mas tem como desviar
atenta: tem como desviar
e nossos desvios
desviam sempre pra nós
em favor de nós
porque nós é nós
e nada há que desentrelace,
desamarre, desatine ou desafine
nós
.
entre nós só nós
.
concomitantemente
sou devoto e devoro
cada pedaço do teu corpo
cada pomposa curva, cada aréola
cada estreito canto, cada pétala
dessa rosa, a mais cheirosa,
gostosa e a mais bela
— de repente —
a coisa mais boa que tem
é acariciar minha donzela
por dentro e por fora
entre nós só existe
eu e ela
ela e eu
ela é elo meu
e eu o dela