às manhãs de sábado
vemos o mesmo vídeo da Aurora
aquele que ela nos saúda gritando
e a manhã começa quando eu acordo
foda-se a métrica do relógio
(apenas em dias inúteis)
.
o vento corre lá fora
a aceroleira canta
obrigado, mamãe natureza
pelo dia de hoje
a vida é boa
pois sinto
.
caguei azul com avelã
depois disso nunca mais fui o mesmo
queria ser uma sequóia
mas sou um tucunaré
a existência é um eterno querer
o que não se tem
Freud cheira
.
nada se apaga, nada se perde
tudo, ao fim, se sobreescreve
o que não tem solução
solucionado está
.
eu amo com a potência
de uma cachoeira amazônida
penúltimo romântico, abobalhado
manso, mas sem rio calmo
sou viva, indiferente e potente
com o perfume de terra molhada de quintal
sou o tucunaré que escala
a aceroleira que sou
a fim de liquidificar o fruto
a fim de infindas coisas
às manhãs de sábado