A INACREDITÁVEL TENDÊNCIA DE ACREDITAR E A INABILIDADE DE MENTIR SE ENCONTRAM NUM BAR AO MEIO-DIA

se encontram nesse bar

e ninguém é de ninguém

um mal mente, outro bem acredita

e assim dá-se a corda da vida

se encontram nesse bar

e conversam ao infinito e além

muito macro, muito micro

são um do outro refém

se encontram nesse bar

a fábrica e os alicerces da existência

depois de ambos embriagar

chegam à magnânima questão: o que é ciência?

se encontram nesse bar

e ninguém é de ninguém

um mal mente, outro bem acredita

e assim dá-se a corda da vida

se encontram nesse bar

pra arrumar a louça suja na pia

porque nada está limpo ainda

talvez nem fique, mas pelo menos...

a sujeira tá num lugar só

se encontram nesse bar

e se questionam por qual razão

suas lágrimas estão tornando-se mar

ao passo que desconfiam aos cânticos:

será que temos que abastecer o atlântico?

se encontram nesse bar

e ninguém é de ninguém

um mal mente, outro bem acredita

e assim dá-se a corda da vida

na beira do rio as lágrimas se confundem

na beira do rio dilui-se

na copa das árvores a respiração esvanece

na copa das árvores flutua-se

se encontram nesse bar

a beira do rio e a copa das árvores

arrotando que o sertão vai virar mar

cuspindo que o oceano vai secar

acontece que o nome desse bar

aberto ao meio-dia

é mentira

do dono ao cliente, todos mentem

e mais um dia calha

pra mais um dia circense