aí é que tá!
não tem nada
o que estava já foi
o que está também
o que estará é língua alienígena
aí é que tá!
tudo o que está
se desmancha no ar
e tudo que é abstrato
não faço ideia de onde tá
aí é que tá!
à parte de tudo
desde a placenta
à deriva num oceano
do tamanho dum pires,
chorando lágrimas de pimenta,
indo por debaixo dos panos
me afogar nesse mermo pires
de lágrimas ardentas
aí é que tá!
não faço ideia de onde tô
se tô indo trabalhar
ou assistir futebol com meu avô
ou indo tomar banho de mar
entorpecido e ouvindo Kokoroko
aí é que tá!
sinto-me num sonho
de eu mermo quando curumim
sem vocação pra eremita
querendo só conectar-me a mim
ser mais com menos
ser menos com mais...
ser e estar... aí é que tá!