por vezes
não me sinto suportado
minha rede é cheia de buracos azuis
e eu sou pesado
e eu sou pesado
por vezes
não me sinto amado
meu coração vive em frangalhos azuis
e eu sou cardíaco celeste
e eu sou cardíaco celeste
às vezes
acontece de eu desvanecer em azul
sou especialista em sonhar acordado
e burro demais pra viver acordado
burro demais
burro demais
perco meu norte, perco meu sul
paciente
paciente
às vezes
acontece de me bater dos vera
uma vontade de morrer dos brinca
se a cada vez acendesse uma vela
com certeza passaria de trinta
porque do parapeito da minha janela
o céu é incolor e por mais que eu minta
acabou a minha tinta azul
acabou a minha tinta azul
por vezes
sentir é um aparato indesejável
nosso amor é excludentemente difuso
minha rede é cheia de buracos azuis
e eu sou um lastro
e eu sou um rastro
de um incêndio azul
congelado
pelo abstrato de todos
pelo abstrato de todos
inexcepcionalmente
inexcepcionalmente