Agosto de 2022. Novamente inicio um blog. Já me perdi na contagem há muito tempo, mas assim como um caderno novo me traz inspiração e a sensação de que posso criar tudo, um novo blog também tem essa cara de infinitas possibilidades. Olha-só-como-posso-escrever-qualquer-coisa-que-eu-quiser-nessa-página-com-nome-improvisado-mas-nova-nova-nova-e-nesse-layout-diferente-dos-antigos.
Era só isso que faltava, meu eu interior pensa, e acredita, mais uma vez, que dessa-vez-vai.
Claro que estou tratando de tudo aqui com muita leveza. Afinal, é só assim, e talvez nem assim, na verdade.
Houve um tempo em que eu era estudante universitária de Letras, e acreditava que tinha um mundo de possibilidades mais artísticas pela frente.
Hoje, trabalho 12 horas com TI, para dois países com fuso-horários bem diferentes, e mal consigo ler um livro. Pelo menos, desde maio não termino um livro sequer.
Mas que mal faz enfiar nessa rotina insana, que me presenteou com uma enxaqueca que acho que nunca mais vai embora, um blog para tentar retomar o hábito da escrita?
Tenho diários, cadernos, e adoro escrever à mão, confesso. Mas algo na minha mente millenial faz com que eu consiga organizar melhor as ideias (isso é o melhor que posso fazer, acreditem) escrevendo na internet. Não apenas na internet, mas em um computador ou notebook (celular ou tablet não servem – embora eu esteja aqui flertando com a possibilidade de comprar um iPad just because). E, como estou sentido minhas capacidades de escrita se esvaindo de mim, resolvi dar mais uma chance para a escrita online (pensei em newsletter, na verdade, sigo pensando, e quero, mas acho que antes preciso praticar, e aqui vai ser o meu #textdump _ sim, tipo aquelas fotos escrotíssimas que a gente tira aos montes, acumulam no nosso Google Photos, e de vez em quando a gente tenta escolher umas menos piores pra postar no instagram, porque a gente adora (odi et amo) seguir uma modinha, e com isso nem as fotos sem muito sentido seguem sem sentido, porque agora a gente tira fotos “ruins” de propósito, e fica tentando dar um ar artístico pra elas “olha-só-como-tenho-um-olhar-desembotado-cult-interessante”, mas me perdi na argumentação, que não era sobre fotos, e sim sobre a escrita. A expectativa é que este #textdump faça o mesmo pela minha escrita – e um pouco de autoilusão é necessário para criar esta minha identidade de escritora (risos), e um pouco de prática não vai me levar à perfeição (não sou tão iludida assim), mas pode sim melhorar um pouco a forma como consigo conectar minhas ideias, e talvez seja só isso que eu quero. voltar a sentir que eu sou capaz de conectar ideias em forma de textos que não sejam instrucionais – porque sou muito boa em escrever e-mails de trabalho e explicar qual foi/é o problema, como resolver, escrever passo a passo, orientar, instruir. meu sustento vem todo disso, e para eu não ficar presa só neste lugar de trabalhar-comer-dormir, uma vida sem hobbies ou prazeres de fato – e me desculpe, mas rever Friends, The Office e How I Met Your Mother ao infinito e além, e encher a cara e falar de amenidades não pode ser chamado de hobby, tenho sentido falta da escrita, essa, caótica e rápida, que acompanha – ou quase – o ritmo do meu pensamento, porque no caderno eu me perco, e a estrutura nunca fica tão legal, e ai, chega de justificativas. voltei a escrever, é isso. tenho um blog, é isso. vamos ver no que dá (nem precisa de fato dar em nada, olha que coisa boa), é isso.