Os meus primeiros rabiscos catalogados datam do longínquo ano de 2008, até recordo-me de outros, precedentes, mas hoje são apenas memórias distantes e incolor. Como, por exemplo, a malfadada escrita de letra musical aos oito anos de idade, quando ainda contava com a condescendência familiar, sendo elogiado para não ter retirado de mim o entusiasmo infantil da descoberta. Outra lembrança fixa vem da escola, precisamente a quarta série, no exercício de redação, cujo tema era o surgimento do arco-íris, e, eu, munido de imaginação, fui capaz de criar uma fábula elaborada - o quão possa ser para alguém de dez anos - onde a morte do bondoso rei, fazia-o renascer no céu feito sete cores, e, com isso, terminei por ganhar palavras elogiosas da professora diante toda classe mesmo com a nota média de corte. Contudo, de concreto, inúmeras folhas soltas de cadernos, onde quebro as angústias adolescentes em estrofes, na tentativa de encontrar-me no deslocamento desde cedo imposto a mim. Aí deu-se o início do processo, antes de sonhar em construir um projeto estético de permanência, eu já buscava a estada no silêncio.