DEADINSIDE!

Ah. Você tá aqui. Bom... Pra ser honesto, você não quer saber dessa merda. Tô te avisando. Isso vai fazer você se sentir como se precisasse de um banho, como se tivesse acabado de comer uma refeição inteira num beco sujo. Nem finge que é melhor do que isso. Porque não é. Se continuar lendo, você vai ser sugado pro mundo de Phoenix Lee, e confia em mim, você não quer ir lá. É um maldito buraco de destruição e ódio por si mesmo.

Mas você ainda tá lendo.

Hah.

Beleza. Agora você tá fodido.

Phoenix Lee não nasceu numa sala de hospital estéril, com música suave tocando e flores na janela. Não, Phoenix foi arrastado pra esse mundo como um maldito desastre de carro. Nasceu numa cela de prisão, pra você ter ideia, onde a mãe dele mal conseguia ficar consciente o suficiente pra empurrá-lo pra fora. É o tipo de nascimento que faz você se perguntar se, talvez, você só tenha sido feito pra ser parte da porra da sentença de prisão de alguém, em vez de uma vida.

A mãe dele? Não era do tipo maternal. Ela tava ocupada demais no meio de alguma merda criminosa que a colocou atrás das grades. Pois é, o garoto nasceu de uma mulher que nem teve o luxo de sentir dor de parto antes da primeira condenação criminal dela. Phoenix veio ao mundo gritando, não por causa das dores do nascimento, mas porque a mãe dele teve que empurrá-lo pra fora enquanto tava algemada na prisão. Quando os guardas finalmente destrancaram a cela pra deixar ele respirar, deram o nome de Phoenix—porque os destroços em chamas do nascimento dele supostamente seriam o renascimento de alguma vida melhor, mais significativa. Tá. Sei. Tanto faz. A ironia passou batida por todo mundo, menos pelo próprio Phoenix, que nunca teve essa tal de "renascimento." Não com o pai que ele tinha.

O pai dele? Um filho da puta frio, criminoso e sem coração. O tipo de homem que vê alguém morrer por causa de um errinho e dá de ombros. Mesmo depois de fazer acordo com a polícia pra limpar as próprias mãos, ele nunca parou de ser um criminoso. Tipo uma barata que aprendeu a sobreviver rastejando pelas rachaduras. Era o tipo de homem que criou o filho com mentiras e medo. Phoenix não teve histórias pra dormir. Ele teve discursos sobre como o mundo era uma merda, como tudo tava armado contra ele, e como você tinha que roubar o que quisesse porque ninguém ia te dar nada. O homem era frio, duro, e violentamente sem arrependimentos. E quase nunca tava em casa. Não, aí que entra a madrasta. Phoenix teve que lidar com os olhos afiados dela, palavras cruéis e o fato de que ela nunca quis ele por perto. Ela era uma verdadeira vaca, sem nada melhor pra fazer além de odiar o moleque que nem era dela. Mas Phoenix não dava a mínima. Ele aprendeu rápido como sobreviver numa casa onde ninguém ligava se ele existia ou não.

E também aprendeu como foder tudo ao redor dele. Ele era o garoto que levantava poeira só pra ver o mundo engasgar. Ele não era o quietinho, o invisível. Não. Ele era o que fazia sua vida pior só por estar ali. Os professores odiavam ele. Os pais evitavam ele. A própria existência dele era um grande foda-se pro mundo inteiro. Ele não se misturava, não se apagava—ele explodia. Fazia birras que deixavam marcas, queimava pontes com as pessoas que achavam que podiam controlá-lo. Quando ele chegou na adolescência, tinha aperfeiçoado a arte de chocar todo mundo, só por diversão. Ele não jogava pelas regras porque, vamos ser honestos, não existiam regras. Cara, ele era um problema, um foda-se ambulante pra tudo que tentava colocá-lo numa caixa. Ele não precisava que o mundo entendesse ele.

A adolescência acertou Phoenix como um trem de carga. Ele não era só o esquisitão da escola; ele era o garoto de quem todo mundo cochichava, aquele com a mãe criminosa e o pai ausente que nem lembrava do aniversário dele. Aos 14, ele já tinha sido pego pixando paredes, roubando cigarros e socando idiotas na cara só por olharem torto pra ele. Aos 16, foi preso por quebrar o vidro de um carro com um skate porque o motorista cortou ele na rua. O juiz chamou de “problemas de controle de raiva.” Phoenix chamou de “me valorizar pela primeira vez.” Foi aí que ele recebeu a sentença de serviço comunitário, a punição reservada pros garotos espertos demais pra cadeia juvenil, mas fodidos demais pra só receber um tapinha na mão.

E então apareceu Andie. Eles se conheceram nesse maldito serviço comunitário obrigatório. Não que quisessem estar lá. Andie era como um shot de tequila na cara. Barulhenta, sarcástica, escrota, mas com um coração que não fazia sentido. Ela não era uma garota boazinha fingindo se importar. Não, ela tava lá pela vibe de foda-se. Ela era a pessoa que se recusava a ser qualquer coisa menos ela mesma. Phoenix odiava ela no começo. Ela não era nada como as pessoas de merda com quem ele cresceu. Mas ele respeitava. Eles começaram a conversar, detonando a hipocrisia do mundo, queimando tudo em uma conversa de cada vez. Eles se conectaram pelo absurdo de tudo. No final do verão, eram praticamente cúmplices. Sem pretensões. Sem mentiras. Só destruição mútua e risadas. Andie, com toda a sua glória fodida, virou a única pessoa em quem Phoenix podia confiar. Mas isso não quer dizer que ele não tenha ferrado com ela também. Porque é isso que ele faz: fode tudo.

A música entrou na vida de Phoenix quando o resto foi pro buraco. Punk rock, rap indie, qualquer coisa alta o suficiente pra esmagar o silêncio na cabeça dele. Ele precisava de algo com dentes, algo que mordesse de volta, e nada era mais vivo do que os hinos cheios de ódio gritando das suas caixas de som baratas e quebradas. Não demorou muito pra ele decidir que queria mais do que ouvir. Queria fazer parte daquela porra. Foi aí que veio a banda. E, claro, pra isso, precisava de um baixista.

Então entra Roux. Garota rica. Uma boca suja cheia de sarcasmo. Mas diferente. Ela não dava a mínima pro dinheiro, e menos ainda pra essa merda de ser "alguém importante." Roux era fogo. Era caos. Era um soco bem no meio da cara, assim como ele. Eles se conectaram rápido demais, como um acidente de carro em alta velocidade: destruição instantânea e perfeita. Roux não tava nem aí de onde Phoenix vinha. O que ela curtia era como ele pensava. Como a música dele fazia alguma coisa estalar nela, mesmo que fosse raiva, mesmo que fosse dor. Ela era crua. Honesta. E talvez por isso ele amasse ela. Amava porque ela não carregava o privilégio dela como uma maldita coroa de ouro. Carregava como se fosse um saco de pedras nas costas, e ainda assim seguia em frente, sangrando se fosse preciso.

Phoenix não tem um emprego. Não precisa. Ele é o cara que faz barulho – barulho alto, sujo e cheio de raiva. Isso é o suficiente. Ele encontrou seu lugar no BRAINDEAD!, onde as músicas vomitam cada pedaço da merda que ele sente. Ele não quer fama, não quer aplausos, não quer amor. Ele quer só uma coisa: sentir que ainda está respirando.

À propósito, ele não para na música. Ele pega roupas velhas, jaquetas arrebentadas, e transforma em arte. Arte fodida. Arte que parece que foi arrancada do inferno com as unhas. Ele mete tinta em tudo, rasga, costura, destrói e reconstrói. É o mesmo que ele faz com a música – coloca tudo de si, suja tudo de sangue, suor e lágrimas. E sim, vende algumas dessas peças. Ganha dinheiro, mas não é pelo dinheiro. As pessoas compram porque é o tipo de caos que elas precisam na vida delas, ou porque não têm coragem de fazer isso sozinhas. Ele só se importa com o ato de criar – ou talvez de destruir.

A vida de Phoenix é uma lixeira pegando fogo. Um ciclo infinito de decisões de merda e sorte pior ainda. O apartamento que ele divide com Andie fede a cigarro, cerveja e desespero. É o tipo de lugar onde até as baratas tão cogitando mudar de vida. Eles continuam respirando porque é o que os fodidos fazem: continuam, mesmo que estejam apodrecendo. Continuam mentindo pra si mesmos, achando que tem alguma coisa boa esperando na próxima esquina.

Mas Phoenix? Ele sobrevive. Sempre sobrevive.

Essa é a vida que ele nunca escolheria, mas, porra, é a vida que ele tem. Uma bagunça sangrenta, costurada com raiva, dor e desespero. E por mais ferrado que tudo seja, há uma beleza nisso. Uma beleza fodida, mas tá lá. Talvez ele não perceba. Talvez nunca vá perceber. Mas isso não importa. O que importa é que ele continua lutando. Continua socando as paredes. Continua gritando.

Phoenix não é o herói dessa história. Nem o anti-herói. Ele é o cara no fundo do bar, esmurrando a parede até os nós dos dedos estourarem, gritando como se o som fosse a única coisa que o mantém vivo. Ele não quer redenção. Não quer salvação. Ele quer queimar o mundo inteiro, foder com tudo e estar lá no meio das cinzas, rindo. Porque o mundo não dá a mínima pra ele. Ninguém dá. E ele vive disso.

Ele fode. Ele fuma. Ele bebe até apagar. Ele grita até a garganta sangrar. E no final, isso é tudo que ele vai ser. O hino do BRAINDEAD! é o único que importa. O caos da vida dele, a rebelião contra tudo e todos, é a única verdade que ele tem. Ele sabe que a única coisa em que pode confiar é na destruição que ele mesmo deixa pra trás.

Porque Phoenix Lee não dá a mínima pra porra nenhuma – exceto por sentir alguma coisa, por um miserável segundo, antes de destruir tudo.