A desigualdade social no Brasil sempre circulou entre as primeiras posições nos rankings mais expressivos das pesquisas mundiais. No nosso país, infelizmente, é comum vermos a valorização financeira sendo dificultada para uma grande parte da população, sendo que, a mesma é associada com determinada frequência ao crime organizado.

O que raramente se fala é do quanto a população brasileira é criativa e mesmo em situações caóticas, revisita não só a paixão musical, mas faz dela aliada importante para enfrentar variadas modalidades de crise, inclusive a monetária.

Se entendermos a cultura como código programado a partir da troca e conexão entre indivíduos que dividem uma localidade, a juventude que já crescia influenciada por ritmos como o Samba, o Hip Hop e o Dance, combinou sonoridades ao seu direito de reivindicar também um espaço no mundo.

Essa irreverência é um dos pontos que ajudou a disseminar o Funk por todas as regiões do Brasil em uma velocidade acelerada, expandindo para outros continentes, chegando literalmente até o outro lado do mundo.

As comunidades que por muito tempo pavimentaram as vias para o surgimento de correntes artísticas, hoje, consolidam-se no mapa como revolucionárias também pelo fator monetário. Por intermédio do Funk, as favelas começaram a movimentar muito dinheiro através da música, das produções de clipes e divulgação de materiais relacionados aos artistas.

As letras das músicas que expõem as dificuldades estruturais para ascender socialmente já eram retratados em diversas composições dos maiores funkeiros e funkeiras do BR desde o início, mas o novo sempre vem, e a geração atual conquistou proporções ainda maiores diversificando as temáticas das composições e utilizando novos conceitos estéticos em suas obras.

Atualmente, o ritmo condensa uma gama de conquistas encabeçadas por artistas que carregam a identidade do funk e do poder de transformação da realidade. Proporcionando assim, uma exploração criativa combinada com emancipação financeira.

Esse movimento não precisa de modéstia, ele é enorme e tende a crescer ainda mais por várias vertentes, já que o Funk não anda separado da correria do mundo real, fomentando diversas conexões e injetando dinheiro na arte, gerando emprego e oportunidades de crescimento conjunto.

Em sua maioria, a ousadia é um ingrediente de destaque para alicerçar os passos cada vez mais altos de uma geração que enxerga muito a frente dos estigmas sociais. O que o Funk faz pela periferia e pelo Brasil como um todo, é erguer um farol luminoso de alta potência em meio a neblina da insegurança.

É uma luz na caminhada de diversas pessoas, acrescentando paixão, talento e progresso no dia a dia, passo a passo.

Enquanto certas estruturas seguem atrapalhando a assimilação do Funk como fonte geradora de renda e oportunidades, algumas marcas entenderam o quão valioso é ter seu nome conectado com artistas e produtores. E assim, o Funk continua conquistando mais espaços, reverberando uma identidade brasileira para o mundo.

Sempre que o Funk acessa lugares, ele gera efeitos efusivos imediatos, como nos jogos Olímpicos de Tóquio, onde ficava evidente a empolgação da plateia com a apresentação da ginasta Rebeca Andrade ao som de Baile de Favela. O público que mantinha um comportamento discreto na maioria das apresentações, batia palma e se contagiava com a ginasta brasileira.

O movimento que vem junto com o Funk, altera as estruturas do mercado, da cultura e até mesmo da política. Não é atoa que muitas canções ocupam os lugares entre mais tocadas em variadas plataformas musicais, pois é esse som que nos move na maioria das vezes para um lugar melhor.

Segundo matéria do UOL, o Funk está entre os ritmos mais escutados em 51 países e segue crescendo 51% desde 2004 no Brasil. Esse é o tipo de ranking que gostaríamos de nos familiarizar, tendo a arte como um produto de exportação e reverberação de conquistas contra os estereótipos.

O Funk abre portas e move pessoas em prol de seus sonhos, combinando transformações culturais, lazer e proporcionando trabalho para muitas pessoas. Esse movimento precisa ser reconhecido como fonte corajosa de reinvenção, recebendo seus méritos e também lidando com os problemas que sempre aparecem em toda jornada grandiosa, mas que no caso do Funk, nunca o impediu de ir além.

Se estamos diante de um vislumbre de mudança de cenário que eleva a qualidade de vida das pessoas em sentidos subjetivos e materiais, por que não corroborar para construir plataformas que viabilizem a sua disseminação?

Eu quero que o Funk domine tudo, porque em seu DNA já está validado que ele não rompe barreiras sozinho.